A Vara Criminal e Crimes Contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Feira de Santana aceitou uma nova denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra uma milícia que atua há mais de dez anos no município e que seria liderada pelo deputado estadual Binho Galinha (PRD), atualmente preso preventivamente. A denúncia inclui também a esposa do parlamentar, Mayana Cerqueira da Silva, acusada de manter atividades na organização criminosa mesmo em prisão domiciliar. As informações são do site Bahia Notícias. Segundo o MP-BA, Mayana teria utilizado intermediários para continuar movimentando valores da milícia após o bloqueio judicial de suas contas. Entre os novos denunciados está Cristiano de Oliveira Machado, apontado como responsável por receber e movimentar recursos ilícitos para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
A juíza Márcia Simões Costa, responsável pelo caso, considerou que a denúncia foi apresentada de forma detalhada e determinou que a Polícia Federal realize, em até 15 dias, laudos periciais de celulares, armas e munições apreendidas, além de informações sobre um veículo Porsche pertencente a Müller Santos Souza, acusado de atuar no núcleo de agiotagem da milícia. Em sua decisão, a magistrada reconheceu a robustez das provas apresentadas e autorizou a continuidade da investigação, determinando a inclusão de todos os elementos necessários à instrução processual. Parte do inquérito da Polícia Federal, no entanto, foi arquivada por falta de provas, incluindo acusações de receptação qualificada, lavagem de dinheiro por meio de honorários advocatícios e crime de extorsão.
A nova denúncia do MP-BA, apresentada em 30 de outubro, envolve 13 pessoas acusadas de integrar o grupo criminoso.
O documento reforça o papel de Binho Galinha como líder da milícia e descreve o funcionamento da organização desde 2013, quando ele assumiu o comando após a morte de Oldair José da Silva Mascarenhas, conhecido como Dainho. O grupo teria iniciado suas atividades com o jogo do bicho em Feira de Santana, expandindo-se para empréstimos ilegais, agiotagem e lavagem de dinheiro, utilizando uma empresa de ferro-velho como fachada para movimentações financeiras. O MP-BA aponta ainda que a milícia manteve operações mesmo após fases da Operação El Patrón, com o objetivo de preservar o padrão de vida de seus integrantes. A denúncia também cita a existência de um núcleo armado, responsável por ações de intimidação e cobrança, destacando o agravante previsto no artigo 2º, parágrafo 2º, da Lei nº 12.850/2013, que trata das organizações criminosas. Entre os denunciados estão Binho Galinha, sua esposa Mayana Cerqueira da Silva, descrita como dirigente administrativa, e João Guilherme, filho do parlamentar, acusado de atuar na parte operacional do grupo.
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